domingo, 27 de maio de 2007

Operação "Prairie Fire" Os EUA no Golfo de Sidra

Dentro do periodo posterior ao Vietnam, os conflitos de baixa intensidade tiveram um papel relevante no equilibrio de poderes entre a Uniao Soviética e os EUA. Houve personagens que ganharam notoriedade internacional nesse periodo, um deles sobresaiu mais que os outros e esse foi o polemico "Coronel" Kadafi. A relaçao entre Kadafi e os EUA teve muitos altos e baixos e, sem entrar em muitos detalhes dos acontecimentos previos, este é o relato dos fatos acontecidos no Golfo de Sidra que levaram ao famoso confronto "Toncat X Fitter"
A VI Frota...
Depois de muitos atritos entre a Libia e os EUA, este último intensificou a sua ajuda militar aos paises hostis à Libia, como o Sudao e o Egito e com a realizaçao de manobras da VI Frota em regioes do Mediterraneo consideradas pela Líbia como suas águas territoriais.Kadafi anunciara que o limite de suas águas havia sido aumentado para 480 km, e os EUA alegaram que essa reivindicaçao era contraria à legislaçao internacional e inaceitavel, uma vez que restringia o espaço de manobra da VI Frota no Mediterraneo. Numa demosntraçao de força, em agosto de 1981 o porta-avioes nuclear Nimitz, Nao-Capitania da Frota naval americana, com seus vasos de apoio, juntou-se ao Forrestal para exercícios que culminariam com disparos de mísseis com muniçao real numa área de testes que abrangia parte do Golfo de Sidra.


Acima: porta-avioes nuclear UUS Nimitz CVN-68 Capitania da Frota naval americana.


Afinal, o conflito
Em 18 de agosto de 1981, os dois grupos de belonaves dirigiram-se para um ponto cerca de 100km da Líbia (e talvez da Uniao Soviética), a marinha americana estabeleceu 7 estaçoes CAP (patrulha aérea de combate) para os caças de defesa da frota dos dois porta-avioes. Norte e leste eram patrulhados, respectivamente, por avioes Grumman F-14 A Tomcat do Nimitz e McDonell Douglas F-4S Phantom II do Forrestal; efetivamente, as primeiras seçoes líbias, decolando de pistas no litoral naquela manha, tomaram rumo norte.


Acima: F-14 preparado para ser catapultado a bordo do USS Nimitz.



Acima: Dassault-Breguet Mirage F-1 da Líbia

Os Tomcats e Phantom II sumariamente interceptaram essas seçoes, que, invariavelmente consistiam de uma dupla de caças, quer um ods vários modelos de Mig, quer Dassault-Breguet Mirage F-1. Naquele dia, cerca de 35 seçoes foram interceptadas, muitas vezes com manobras próprias de combates, mas sem que fossem feitos disparos.

Acima: Um elemento de F-4S Phantom II realizando uma CAP (patrulha aérea de combate).

O choque.
Na madrugada do dia 19, dois F-14 A do VF-41 decolaram do Nimitz para outra missao de rotina. Dirigiram-se para a estaçao de CAP nº4 e puseram-se na costumeira orbita de pista de corrida. Com o nível de combustível baixando, os tripulantes começaram a pensar en reabastecimento. De repente, na volta sul da orbita, o tenente Dave Venlet, RIO do Tomcat pilotado pelo comandante Hank Kleeman, detectou uma seçao no radar. Os dois avioes líbios iam diretamente para a posiçao dos Tomcats, à mesma altitude 6.095m. Os dois avioes americanos imediatamente adotaram uma formaçao ofensiva de combate, distanciando-se um do outro: Kleeman ficou na frente , como observador, enquanto seu ala ( o tenente Larry Mucznski como piloto e o tenente Jim Anderson como RIO) funcionava como artilheiro.

Acima: Um F-14A realizando uma CAP.

O segundo aviao ficava entre 1.830 e 2.440m mais alto que o lider; a distância horizontal separando os dois era de 3.220m. Essa formaçao dificulta a visao simultânea dos dois aparelhos. Voando em direçao aos líbios, Kleeman teve enfoque visual deles a poucos menos de 13km de distância; Mucznski vinha 6.400m atrás. Os dois pilotos de Tomcat ligaram os pós-combustores, e em poucos segundos o da frente fazia um tonneau 150m acima dos líbios. Kleeman verificou visualmente que eram dois Sukhoi Su-22 "Fitter-J" armados com canhao interno e AAM AA-2 "Atoll".


Acima: Um Su-22 "Fitter-J" .

Os Su-22 da frente disparou um dos seus AA-2; o míssil virou para cima, na direçao do 2º Tomcat, mas nao chegou a ameaçá-lo seriamente. Nao se sabe se o piloto líbio intecionadamente ou por engano, mas os resultados foram imediatos e dramáticos.
O Su-22 da frente iniciou uma subida pela esquerda, enquanto o ala começou uma curva horizontal de 180º, Mucznski estava mergulhando, mas conseguiu "colar" atrás do lider líbio que subia. Kleeman tratou de posicionar-se a 40º da cauda do ala líbio, ficando a uns 1.200m de distância. Enquanto o Su-22 cruzava o Sol, Kleeman lançou um AIM-9L Sidewinder. O Missil acertou a cauda do aviao líbio e explodiu; pedaços de celula voaram, e o aviao perdeu o controle. O piloto conseguiu ejetar e descer de pára-quedas em segurança.O outro Sukhoi nao teve melhor sorte. Mucznski seguiu-o enquanto subia e ficou na posiçao de 6 horas em relaçao a ele, a 800m de distância. O piloto americano disparou o seu AIM-9L Sidewinder. Numa fraçao de segundo, a metade do Su-22 tornou-se uma grande bola de fogo. Mucznski ascendeu abruptamente, numa manobra de 6g, para evitar que o seu aviao fosse atingido por destroços do outro; voando invertido, ele viu os restos em chamas do Su-22 caindo. O piloto ejetou, mas o pára-quedas nao abriu.
Confronto no Golfo de Sidra - 2ª parte
Depois de 1981, a Libia se envolveu em todo o tipo de atividades terroristas, em novembro agentes libios participaram do atentado em Paris contra o diplomata norte-americano Chistian Chapman, no começo de 1982 o presidente Reagan decretou boicote ao petróleo líbio. Em 1985 o Kadafi classificou de "operaçoes heróicas" os ataques de dezembro ao balcao da "El Al" em Roma e em Viena que resultou na morte de 15 pessoas (alguns norte-americanos). Os Passaports de pelo menos 4 terroristas mortos nas operaçoes eram tunesinos, mas haviam sido confiscados pelas autoridades libias de trabalhadores temporarios vindos da Tunisia e entregues a militantes palestinos.No final de janeiro de 1986, Kadafi declarou o estabelecimento da "linha da morte", indo de um ponto logo ao sul de Tripoli até Bengázi, fechando dessa forma o Golfo de Sidra. Segundo ele, avioes e navios norte-americanos que se aventurassem ao sul dessa linha seriam destruidos. Os EUA acharam que, segundo as leis maritimas internacionais, tinham direito de cruzar a linha e de disparar contra qualquer ameaça à liberdade de navegaçao.
Operaçao "Prairie Fire"
Já em fevereiro de 1986, começou a ser posta em movimento a operaçao "Prairie Fire". A intençao era provocar uma reaçao por parte da Líbia e entao retaliar. Nem um, nem dois, senao três poderosos grupos navais de combate, capitaneados por porta-avioes cruzariam a "linha da morte", oficialmente em manobras de rotina. A pressao começou a ser aplicada com 32 dias consecutivos de incursoes nao anunciadas no espaço aereo além da linha, mantendo as defesas líbias sempre ocupadas. Em 14 de março, a operaçao "Prairie Fire" foi totalmente liberada, e os três porta-avioes, 27 vasos de apoio e mais de duzentos avioes logo estavam ao largo do litoral líbio (isso é a resposta à aqueles que acreditam que os americanos são uns retardados mentais por manterem uma frota tao grande de porta-avioes ou à aqueles que questionam a necessidade do NA São- Paulo A-12).A Líbia nao era um pais ingenuo, tinha pelo menos 160 Mig-23 "Flogger", 60 Mig-25 "Foxbat" e 100 SU-22 "Fitter" para atacar a Navy.

Acima: Participaram os aviões de três porta-aviões entre eles o USS America, acima.

Líbia reaciona.
Kadafi libera a sua ira e a maquinária de guerra libia responde; ás 7h52min do dia 24 de março, 2 mísseis "Gammon" SA-5 foram disparados contra caças americanos, ambos erraram o alvo. A situaçao se complicou quando por fim, decolaram os avioes mais poderosos das forças líbias, os Mig-25 "Foxbat" (A baixo ) armados até os dentes com 4 AA-6 "Acrid" e com um objetivo tao próximo seria perfeito para as suas caracteristicas de combate.
Os Mig-25 viraram ao norte, diretamente ao encontro das CAP americanas, o trabalho seria mais fácil se encontrassem uma dupla de F-4, os pilotos tinham conhecimento das tentativas por parte de Israel de interceptar os "Foxbat" sempre sem resultado. Um combate ideal seria a grande altura e velocidade, mas as patrulhas americanas estavam a um nivel mais baixo (6.095m), e nao eram F-4, senao F-14 Tomcat. Os F-14 com seu poderoso radar nao teve problemas em encontrar um aviao de quase 30 toneladas voando alto e rápido, os pilotos americanos rapidamente apontaram em direçao aos Migs com os pós combustores ao máximo, tentaram diminuir a distância o mais rápido possivel, mas sem subir.Os pilotos americanos aprenderam dos pilotos israelis as tecnicas de combate contra um Mig-25, já que Israel tinha encarado alguns Mig-25R aos quais conseguiu finalmente dar caça com os novos F-15.

Enquanto o mar era um péssimo fundo para o radar do Mig-25, o limpo céu azul era um fundo perfeito para o radar do Tomcat, possivelmente os F-14 perceberam primeiro a presença dos Migs. A idéia era interceptar os Mig-25 de baixo para cima, aproveitando a grande potência dos motores do Tomcat para trepar rapidamente e lançar os seus misseis a média distância, mas nunca houve a oportunidade, os Migs finalmente nunca deram combate, qualquer coisa que nao fosse combate a larga distància nao era interesante para os pilotos líbios, marcados pelo encontro de 5 anos atrás.
Resposta americana.
No decorrer do dia, novos mísseis SA-5 e também SA-2 "Guideline" foram lançados do litoral, mas nenhum acertou.Às 14h26min os EUA começaram a castigar os líbios duramente. Dois Grumman A-6E Intruder, (A baixo ) armados com misseis antinavio AGM-84A Harpoon e bombas de fragmentaçao Rockeye, atacaram e destruiram uma embarcaçao de ataque rápido "Combattante IIG" que portava 4 mísseis Otomat.


Quarenta minutos depois uma dupla de Vought A-7E Corsair II atacou e desativou uma base terestre de SA-5, utilizando mísseis HARM AGM-88A. Às 16h15min, outra dupla de A-6E danificou uma corveta da classe "Nanuchka II" armada com misseis , que conseguiu retornar ao seu porto. Ao cair da noite o Cruzador americano Yorktown, destruiu uma embarcaçao "Combatante IIG" graças a dois misseis Harpoon. Essa açao foi logo seguida por outro ataque de avioes A-7E contra outra base de SA-5. Uma segunda "Nanuchka II" foi atacada e seriamente danificada por aparelhos A-6E nas primeiras horas de 25 de março, e o pessoal líbio de salvamento foi visto recolhendo sobreviventes.
O Pentagono afirmou oficialmente que "pelo menos 6, mas não mais de 12" mísseis líbios tinham sido disparados contra avioes norte-americanos. Quatro embarcaçoes líbias haviam sido destruidas ou danificadas e pelo menos duas bases de SAM em terra haviam sido destruidas.Em 5 de abril, uma bomba deixada por um terrorista palestino explodiu em uma discoteca de Berlim ocidental, matando 2 pessoas e ferindo 230, muitas delas militares norte-americanos.

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