sábado, 30 de junho de 2007

Ataques as Bases Aéreas : A destruição dos abrigos HAS iraquianos


A Guerra do Golfo em 1991 foi um conflito mais recente de larga escala onde forças regulares lutaram contra a outra em um grande teatro de operações com uma grande série de operações. Um terço das forças de caças da USAF, incluindo 90% dos F-111F, F-117A e F-15E, foram para a região. Metade das aeronaves de reabastecimento em vôo e Comando e Controle foram deslocados para a região e praticamente todas as aeronaves de reconhecimento e guerra eletrônica.


A Operação Tempestade do Deserto seria a primeira ameaça da EUA contra um inimigo de primeira categoria. Em 1991, a Coalizão enfrentou uma rede formidável de bases, resultado de programa massivo de construção de abrigos HAS e dispersão sendo até um exemplo para outros paises. A rede de bases aéreas reforçadas iraquianas eram um dos pontos fortes do país. Devido a sua força uma grande parte da força aérea da coalizão foi usada para sua supressão. Não eram aeródromos, mas fortificações e eram a parte mais forte da força aérea. No total mais de 594 HAS foram construídos por empreiteiros britânicos, belgas, franceses e iugoslavos com padrão melhor que o da OTAN.

Aliados temiam que as bases de dispersão, a proteção, junto com decepção ativa e a capacidade de reparos evitassem que a força aérea iraquiana continuasse a operar. O objetivo dos aliados passou a ser diminuir a razão de saídas ao invés de fechar as bases aéreas, devido ao tamanho, quantidade e recursos limitados. O objetivo era deixar a força aérea iraquiana inefetiva, sem poder decolar, como parte da campanha de superioridade aérea. O Iraque dá muita importância para a proteção das bases aéreas devido a experiência em conflitos contra Israel e Irã, e até mesmo da experiência britânica no país durante a Segunda Guerra Mundial. Contra Israel já tinham mostrado que poderiam perder a guerra devido aos resultados de ataques a bases aéreas. Contra o Irã tentaram vencer atacando as bases inimigas, mas sem sucesso. Foi criada uma rede de bases reforçadas de dispersão na fronteira.


Cada base, chamada de Projeto 505, iniciou a construção durante a guerra contra Irã, cada uma com 12 HAS de parede de meio metro concreto, oito tanques de combustível, duas estações de força e instalações para operações do esquadrão. Todas as bases tinham equipes de reparos e material necessário. Nesta rede havia três bases para meios estratégicos. As bases foram planejados em 1975 como Projeto 202, onde concentram os meios de guerra biológicos, químicos e até nucleares. A construção iniciou no meio da década de 80 com tudo super-reforçado e com o mais moderno da época.Na época não existia uma organização especializada em analisar as bases inimigas e a Coalizão não tinha informações detalhadas das bases iraquianas. Por sorte tiveram cinco meses para consolidar as informações antes das operações aéreas iniciarem. A prioridade era liberar o Kuwait e então a superioridade aérea no sul do Kuwait era prioridade.

Outra função era neutralizar as armas de destruição em massa do Iraque que ameaçava a Coalizão e Israel. Também existia o objetivo de parar a ameaça a longo prazo do Iraque aos vizinhos. A fase inicial foi planejado atingir um nível de danos para deixar as bases inoperáveis e criaram missões especificas para cada base. Foi antecipado um reataque para manter os danos e destruir alvos particulares. A avaliação de danos de batalha seria crucial para determinar como seriam os ataques subseqüentes. O Iraque tinha 66 bases aéreas. Primeiro priorizavam os alvos relacionados com a lista de objetivos já citados. A geografia priorizava as bases de Tallil e Jalibah no sul devido a distância do Kuwait.

A defesa de Bagdá era outra prioridade assim como as bases de aeronaves avançadas como os Mig-29. As bases ao norte de Bagdá ameaçava a Turquia e o Irã e por isso tinham baixa prioridade.As bases na fronteira saudita como Salman Norte e Wadi Al Khirr foram atacadas devido a posição geográfica e importância. Eram pouco usadas em tempo de paz pois guardavam as aeronaves no interior, mas o alcance limitado das aeronaves as tornava ativa e seriam usadas para contra-ataque como base avançadas. Atacando as bases secundárias aumentariam a importância das bases principais. As armas químicas e biológica tinham grande prioridade e inclui atacar os centros de fabricação e armazenamento que ficavam próxima as bases aéreas.


As bases com mísseis Scud e aeronaves de longo alcance como o Mirage F-1 e Su-24 eram prioridade e ficavam bem no centro do pais.A principal ameaça a coalizão eram os Su-24 que poderiam lançar armas de destruição em massa contra Israel e atacar as bases aliadas distantes. As bases destas aeronaves foram as primeiras a serem atacadas. O Su-24 foi projetado pelos soviéticos para atacar alvos na chamada "zona operacional" entre 300-800km da frente de batalha. Entre as prioridades estavam os lançadores de mísseis Pershing, depósitos de armas nucleares, centros de comandos, linhas de comunicações (pontes, pátios de ferrovias, junções de rodovias), tropas de segundo escalão e bases aéreas. Os ataques seriam de dia com auxilio de navegação de longo alcance e operando a baixa altitude.Os F-117 atacaram os nódulos de Comando e Controle, Comunicações e Centros de Comando simultaneamente,assim como os centros de operações de defesa aéreas. Assim as bases ficaram isoladas e sem coordenação.


As bases aéreas iraquianas tinham até seis pistas e as pistas de taxiamento eram grandes e numerosas para apoiar vários HAS. Os abrigos HAS tinham varias pistas de taxiamento redundantes e ficavam no fim da pista e ligada ao HAS vizinho. A pista redundante podia ser usada para atingir a pista. As superfícies de operação de emergência eram longas o suficiente para acomodar um IL-76. Os objetivo dos aliados na primeira noite era cortar as pista de taxiamento entre os HAS e as pista ao invés de destruir toda pista que eram grandes devido ao calor do deserto. Assim ficaria difícil coordenar ataques de muitas aeronaves contra os aliados já que dificilmente as aeronaves decolariam juntas ou seriam grupos pequenos. As equipes e equipamentos de reparo presentes nas bases não foram atacados. Atacar a pista passou a ser metade do problema com a capacidade de reparo não ameaçada.


Cada bases aérea principal do Iraque tinha equipes de reparos bem treinados, equipamentos especializados e estoques de material para reparos. O resultado foi o reparo rápido dos danos. Crateras eram pintadas nas pistas operacionais para parecer danos reais e as crateras reais eram cobertas com papeis para chamar mais ataques para proteger as pistas boas.Como eram alvos difíceis as bases aéreas eram atacadas pelas melhores aeronaves aliadas. O ataque iniciou com as operações de pacotes de quatro ou oito Tornados atacando 10 bases a baixa altitude a noite, após outras aeronaves atacarem e as defesa estavam alertadas. Usaram o casulo JP233 e o objetivo era fechar as pistas de taxiamento entre os HAS e pista. As submunições das JP233 eram pequenas e fáceis de reparar (4 a 6 horas) e a redundância dava muita alternativa para pista. Na primeira semana os ataques com Tornados foi diário, mas a tática de vôo baixo era perigosa devido a artilharia antiaérea e foram perdidos quatro Tornados.

Mesmo assim só uma perda foi confirmada nestes ataques como sendo com a JP233 e provavelmente foi uma colisão com solo três minutos após o ataque (os iraquianos citam que foi derrubada por um Mig-29). Vários A-6E Intruder da US Navy também foram perdidos nos ataques as bases aéreas. A USAF tinha bombas anti-pista Durandal, mas não usou. Na primeira noite de guerra a RAF enviou quatro esquadrilhas de Tornado para atacar as bases de Al Asad, Al Taqaddum e Mudaysis e duas esquadrilhas para atacar Tallil. Os ataques foram realizados a uma velocidade de 600 nós (1.112 km/h) e a 200 pés de altura (60m). Com exceção do ataque a Al Asad, os Tornado faziam parte de uma força de ataque conjunta com a USAF e a US Navy. As aeronaves americanas fizeram inicialmente um bombardeio nivelado e os Tornado atacaram depois com suas JP223. As bases iraquianas também não eram de pistas de fundação de concreto e as armas de penetração tinham pouco efeito e acabaram usando bombas comuns.


As táticas da OTAN para ataque as bases aéreas a baixa altitude foram desenvolvidas para o terreno montanhoso da Europa e não para o deserto plano do Iraque. Seis dias após o inicio do conflito os Tornados passaram a atacar a média altitude, pois não havia cobertura radar funcionado mais. A pontaria piorou com bombas burras a média altitude. Também não havia mais bases aéreas para atacar e passaram a fazer interdição contra a Guarda Republicada e receberam bombas guiadas a laser. A frota de Tornados da RAF só tinha dois casulos TIALD para designar alvos e foram auxiliados por 12 Bucanner equipados com geriátricos casulos Pave Spike. O ataque as pontes era seguido de reconhecimento armado para destruir os pontões. O mesmo ocorreu com as bases aéreas que podiam estar sendo reconstruídas.As saídas do Iraque foram diminuindo após a hostilidade iniciar. O Iraque voou apenas 50 saídas nos primeiros dias. Os pilotos iraquianos sempre souberam que seria suicídio enfrentar os pilotos da coalizão. Os ataques as bases aéreas complicava, mas se evidencia que não foi a única influencia na razão de saídas.As minas das JP233, junto com as minas das bombas em cacho, tiveram mais impacto nas operações aéreas nas bases. A semeadura de minas nas bases saturou a capacidade das equipes de destruição de bombas. O pessoal, veículos e aeronaves ficaram bloqueados e não podiam se mover.


Quando o USMC entrou no aeroporto do Kuwait foram parados não pelo inimigo, mas por minas das bomba em cacho que não explodiram. Após as primeira perdas, os iraquianos ficaram em terra. Escondidos nos HAS se acharam protegidos e pretendiam esperar a invasão por terra contra o Iraque para voltar a operar. Mas a coalizão decidiu que os próximos alvos deveriam ser os abrigos HAS, atacando um por um.A segunda fase de ataques as bases aérea foi o ataque contra os HAS usando bombas guiadas a laser disparadas de média altitude após a ameaça de mísseis SAM serem neutralizados no quarto dia da guerra. Os iraquianos reutilizaram os HAS atingidos considerando que não seriam atacados novamente. Mais buracos nas pistas foram feitos com bombas de penetração GBU-24 guiadas a laser.Inicialmente a coalizão planejou atacar e destruir 594 HAS em poucos dias. Seriam destruídos em grupos, prevenindo a dispersão das aeronaves.


Na pratica não foi rápido. As aeronaves com capacidade de lançar armas guiadas estavam disponíveis em quantidade limitada para tantos alvos. A avaliação de danos de batalha era lento e precisou de reataque contra alguns alvos. O mau tempo também atrasou os ataques. Noite após noite, os F-111F dispararam bombas guiadas a laser contra os HAS iraquianos. Os primeiros pacotes eram formados por seis aeronaves, mas no fim com 20 a 24 contra uma base de cada vez. Na média foram 10-20 HAS destruídos por noite. No total foram 375 HAS destruídos com 141 aeronaves destruídas. Durante a segunda semana da guerra aérea, apenas 60% das saídas dos F-111F e 26% dos F-117 eram para atacar bases aéreas e a maioria dos alvos eram abrigos HAS. Na terceira semana os F-111F conduziram 200 ataques contra as bases (18% das saídas na semana).


Os B-52G foram usados para atacar bases aéreas em ataques a baixa altitude em quatro ataques. Ele atacavam as pistas com armas não guiadas de 454kg e criavam campos de minas com bombas em cacho. Também atacaram com mísseis cruise (31 mísseis CALCM). após os ataques contra os HAS iniciar, os iraquianos passaram a dispersar suas aeronaves em pequenos grupos, perto de vilas, mesquitas e sítios arqueológicos. A coalizão pensou em atacar com bombas sem explosivos e só com concreto dentro para evitar danos colaterais. A dispersão significou uma derrota pois não podiam operar dos sites de dispersão que só serviu para preservar suas aeronaves. Outras partes das bases atacadas foram as instalações de manutenção para evitar a sustentação de saídas a longo prazo. No fim da guerra 50% da capacidade de manutenção foi destruída. Os veículos de apoio geralmente eram ignorados, mas eram críticos para manter e apoiar. Como estavam estacionados perto ou dentro dos HAS foram destruídos.Apesar dos ataques, a maioria das aeronaves mais avançadas ficaram intocadas nos superbunkers das bases Project-202. No primeiro ataque a estas bases, no dia sete da guerra, a bomba não penetrou. Para os iraquianos serviu para reafirmar a invulnerabilidade contra armas convencionais de suas super-bases.


O segundo ataque, no dia nove, penetrou e pulverizou o conteúdo. Certos da destruição, os iraquianos passaram a fugir para o Irã. No mesmo dia da fuga iniciar, os comandantes da forças de defesa aérea e força aérea foram executados. A fuga inicial pode ter sido deserção pois alguns caíram indicando falta de planejamento. Depois Saddam ordenou a fuga o que já tinha sido feito durante a guerra contra o Irã guardando caças em paises vizinhos.No primeiro dia o Iraque voou 24 saídas, nove não voltaram, contra 2 mil saídas da coalizão. Em quatro dias foram mais de 40 saídas incluindo de transporte. Era um ritmo operacional adequado contra o Irã, mas não contra a coalizão. Após as perdas nos primeiros três dias se esconderam nos HAS. No nono dia os iraquianos pararam de voar e depois só para fugir. Após uma semana os Aliados passaram a atacar os HAS e os iraquianos não podiam mais contar com esta proteção e passaram a fugir para o Irã no nono dia não atacando mais as aeronaves da coalizão a partir deste dia.


No dia 14 de janeiro já havia 100 HAS destruídos e colocaram Patrulhas de Combate Aéreo na fronteira o que parou os vôos por uma semana. Com a suspensão das Patrulhas de Combate Aéreo a fuga reiniciou e as Patrulhas de Combate Aéreo foram reativadas e continuaram até o fim do conflito.Os iraquianos tentaram apenas um ataque com um Mirage F1 contra a Arábia Saudita. Apenas um Mirage F1 lançou um Exocet que não atingiu nada. O Iraque tinha cerca de 689 aeronaves de combate. As perdas foram 35 derrubadas, 81 destruídas no pátio, 12 capturadas intactas no sul do Iraque, cerca de 141 destruídas nos HAS e 148 fugiram para o Irã.Os primeiros ataques da Coalizão foram mal concebidos pois as bases aéreas estavam preparadas. Dos 16 alvos primários entre as bases aéreas e 28 bases de dispersão, apenas nove foram consideradas fora de ação, mas os aliados também não tinham a intenção de deixar todas as bases inoperáveis. A fuga dos caças para o Irã mostra que falhou.


O ataque aos HAS que finalizou a ameaça forçando a fugir ou dispersar. Se o ataque aos HAS fosse iniciado antes e com mais recursos, talvez não escapassem para reforçar a força aérea do Irã. A falta de inteligência resultou em solução estereotipada como ataque a pista. Com superioridade aérea e mais de 3 mil saídas contra as bases aéreas (1300 nas duas primeira semana), ainda assim não eliminou a ameaça. Mesmo com cinco meses de preparação, superioridade técnica, superioridade numérica absoluta, surpresa e iniciativa.Outros motivos podem ter sido o motivo principal do mau desempenho da Força Aérea Iraquiana. Por motivos políticos, para Saddam Husseim se preservar contra ataques da força aérea, como ocorrido no passado, os melhores pilotos iraquianos de ataque, só tinham experiência em atacar curdos sem defesa. Foram os primeiros a atacar Irã em 1980 com falha total. Para manter a dominação os pilotos só agiam com controle estrito de terra, sem iniciativa nenhuma. Saddam controlava todos os níveis de planejamento e execução das missões militares. O profissionalismo e competência eram secundários, com o medo de serem acusados de deslealdade não reclamavam das opiniões de Saddam. Eram os membros do partido que subiam no ranking e não por mérito ou capacidade. A vontade de lutar dos pilotos era duvidoso em termos de apoiar Saddam Husseim.

sábado, 23 de junho de 2007

CAÇADA AOS SCUDS - IRAQUE - 1991

Antes da Guerra do Golfo (1991), estava configurado o fato de o Iraque ter desenvolvido um sofisticado e ambicioso programa de guerra biológica. Descobriu-se que este país havia desenvolvido um programa ofensivo de bioarmas que incluía bacilo do antraz (Bacillus anthracis), aflatoxina, toxina botulínica e bacilo da gangrena gasosa (Clostridium perfringens). O exército iraquiano havia preparado um estoque de 8.500 litros de esporos de antraz concentrado, sendo 6.500 litros armados em 50 bombas e 50 mísseis SCUDs; estoque de 19.000 litros de toxina botulínica concentrada, sendo 10.000 litros armados em 100 bombas e 13 SCUDs; e estoque de 2.200 litros de aflatoxina concentrada, sendo 1.580 litros armados em 16 bombas e 2 SCUDs.

Os mísseis Scud eram a mais temida das armas iraquianas (em suas versões modificadas do original soviético). Apesar de antiquados, muitos foram instalados em bases de lançamento móveis, que podiam ser desmantelados, transportados e de novo montados em 25 minutos sem serem detectados. Durante a guerra, os iraquianos utilizaram-nos contra o seu velho inimigo Israel. Os danos foram ligeiros, mas Israel estava pronto para contra-atacar. Determinados a evitar qualquer agravamento da guerra os americanos esperavam destruir os Scuds com os seus mísseis Patriot(a esquerda). Os Patriots tinham sido originalmente projetados para atingir aviões, mas esta versão conseguia seguir o percurso de um míssil. Quando os Scuds mergulhavam de novo em direção ao solo a cerca de 6400 Km/h, o Patriot agia como uma bala dirigida a outra bala. Neste caso, os Scuds haviam sido tão mal adaptados que muitos se desintegravam durante o vôo. Apenas uma pequena percentagem atingiu o alvo. O Scud foi desenvolvido há 40 anos na ex-União Soviética para servir de apoio a divisões de exército. Simples e robusto, embora pouco preciso contra alvos situados além de 150 quilômetros, foi doado ou vendido para quase todos os países alinhados com o regime da URSS no Leste Europeu, no Oriente Médio, na Ásia e no norte da África. Estima-se que haja cerca de 1,5 mil Scuds operacionais em todo o mundo. Os Scuds iraquianos pertenciam à série 8K14, conhecidos na OTAN como SCUD 1-B. São mísseis balísticos de um só estágio, curto alcance e propelidos por combustível líquido. Os primeiros lançadores móveis foram construídos sobre chassis do tanque russo IS-3. Quatro anos depois, os IS-3 foram substituídos pelos chassis 8 x 8 MAZ-543. A troca do transportador deu aos SCUD muito maior mobilidade e dispensou o uso de viaturas auxiliares de transporte de pessoal, já que a tripulação ia dentro do MAZ-543 . Uma unidade padrão opera até 18 disparadores, coordenados por um veículo de Comando e Comunicações, e acompanhados por uma central meteorológica End Tray movel, um caminhão tanque ZIL-157 e uma carreta com mísseis extras para recarregamento. O tempo gasto entre a chegada ao ponto de disparo e o momento em que o primeiro Scud sobe é estimado em uma hora. Durante a década de 80 os engenheiros iraquianos modernizaram seus Scuds, aumentando-lhes o tamanho, ao agregar mais um segmento, e conseqüentemente aumentando-lhes o alcance, embora a carga útil tenha sido ligeiramente diminuída. Os resultados foram o Al-Hussein ( ! ) com 650km de alcance, e capaz de atingir Israel e a Síria, e em seguida o Al-Abbas, com 900km de alcance, capaz de cobrir todo o Estreito de Hormuz. Os Scuds foram usados por Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo em 1991 contra uma grande variedade de alvos, mas principalmente contra Israel, numa tentativa de forçar um ataque de retaliação israelense ao Iraque, o que levaria a uma imediata ruptura da Coalizão. Inicialmente considerados como um fator militar insignificante, lançadores móveis de SCUD logo tornaram-se mais numerosos do que o esperado, e sua eliminação por questões políticas foi parar no topo das prioridades da Coalizão. Logo descobriu-se que somente as baterias de Patriots não seriam suficientes para neutralizar a ameaça dos Scuds então foi formada uma força conjunta de caça-bombardeiros convencionais e Forças de Operações Especiais (SOF) foi rapidamente reunida para localizar e destruir a ameaça. Ao atacar o Kuwait, Saddan dispunha de 50 TELs (Lançadores Móveis de SCUD ), além de 5 plataformas fixas, todas elas apontadas para Israel, e com cerca de 60 mísseis a disposição. Em 17 de janeiro, sete SCUDs alcançaram TelAviv e Haifa, destruindo cerca de 150 prédios e ferindo 50 pessoas. O Primeiro Ministro Israelense, Yitzhak Shamir avisou aos americanos, que Israel não toleraria outro ataque e estava pronto para retaliar. Imediatamente George Bush mandou duas baterias de mísseis antiaéreos Patriot para Israel e prometeu destruir todos os lançadores iraquianos.


Acima: Lançador móvel de mísseis Scuds.

Cinco dias depois, um SCUD atingiu os subúrbios de Telavive, matando 8 pessoas. Israel pediu as senhas de passagem para seus caças F-15 e F-16, que já esquentavam os motores nas pistas de decolagem, quando uma conversa telefônica, entre Bush e Shamir, conseguiu conter os israelenses.No dia seguinte, a Inteligência israelense informou ao comando da Coalizão da localização de 4 plataformas fixas iraquianas. Imediatamente uma unidade SOF foi enviada para localizar e destruir as plataformas. Dois helicópteros MH-47 Chinook levaram a equipe, bem como um veículo Land-Rover modificado para operar no deserto do Iraque Ocidental. Uma hora depois, a equipe SOF localizou as plataformas, chamando uma esquadrilha de F-15 que bombardeou o local com bombas guiadas por laser. Um helicóptero MH60 Black Hawk filmou o ataque, e a fita foi enviada a Israel. Após ver a fita, o Primeiro Ministro de Israel ligou ao Pres. Bush para dizer que confiava na capacidade da Coalizão para localizar e destruir os SCUD. A crise havia sido postergada. No dia 18 de janeiro, aviões A-10, F-15, F-16 e AC-130 Spectre foram designados especificamente para localizar e destruir todas as plataformas de lançamento de SCUD. Embora as plataformas fixas fossem relativamente fáceis de localizar e destruir, o problema eram as TEL, que os iraquianos haviam aprendido a camuflar e esconder muito bem, aliadas às magníficas " iscas " feitas de borracha na Alemanha Oriental, que eram cópias perfeitas de lançadores móveis, o que custou centenas de toneladas de bombas para serem destruídas. Com a pressão israelense por resultados voltando rapidamente a subir, era chegada a hora de usar as SOF na busca por terra destas plataformas móveis. Embora, o Comandante em Chefe da Coalizão, Gen. Norman "The Bear " Schwartzkopf não acreditasse na capacidade das SOF de resolver alguma coisa, pois havia visto durante seu período no Vietnam, inúmeras Unidades de Boinas Verdes serem socorridas pelo Exército para evitar que suas posições fossem tomadas, e também assistiu, durante a invasão de Granada, como uma Unidade SEAL da Marinha foi quase aniquilada em uma emboscada, por falta de um reconhecimento prévio efetivo do local de desembarque, uma ordem direta do Chefe Estado-Maior americano, Gen. Colin Powell, para que desse prioridade ao uso das SOF na busca aos SCUD resolveu a questão. Desde o início o Gen. Schwartzkopf tinha em seu Estado-Maior ao Gen. Sir Peter de la Billiére, ex- comandante do 22 SAS, o mais conhecido e lendário grupo de forças especiais do ocidente, como comandante das Forças Britânicas no Golfo.

22º Regimento SAS

O 22 SAS foi a primeira unidade de SOF a operar diretamente contra a força móvel de SCUDS num esforço concentrado para direcionar os recursos da Coalizão na caça as plataformas móveis destes mísseis. Duas área de operação foram criadas: a primeira localiza ao sul da principal rodovia ligando Bagdá a Amã, Jordânia, indo de H1 até perto da fronteira saudita, conhecida como Scud Alley (Alameda) foi entregue ao SAS enquanto a segunda, ao norte da rodovia Bagdá a Amã, chegando perto da fronteira com a Síria, conhecida como Scud Boulevard, foi entregue ao JSOTF americana (Força Delta).

Para realizar as suas tarefas no Iraque o SAS montou patrulhas de vigilância de estrada e colunas móveis de combate.

Patrulhas de Vigilância de Estrada
Essas patrulhas eram formadas por oito homens, que por um período de cerca de 10 dias se posicionariam bem atrás das linhas inimigas, sendo inseridos por helicópteros Chinook, para montar Postos de Observação - PO, com o objetivo de monitorar as principais rotas de provisão para a movimentação dos lançadores de Scuds. Caso alguma plataforma móvel de lançamento fosse avistada imediatamente seria chamado um ataque aéreo para destruir os veículos. Redes de cabos de fibra óptica, que auxiliavam a rede de comando iraquiano no lançamento dos Scuds, seriam alvos secundários.

O Esquadrão B forneceu todo o pessoal para formar as três Patrulhas de Vigilância de Estrada, que receberam o nome código de Bravo One Zero, Bravo Two Zero e Bravo Three Zero. Eles ficaram assim dispostas: B10 ficou na região sul, B30 no centro e B20 no norte.

B10 - Bravo One Zero
A primeira patrulha do SAS que entrou no Iraque o fez de helicóptero Chinook. Os seus operadores quiseram inspecionar rapidamente o ambiente e pediram para o helicóptero que os trouxe esperar um pouco. Eles decidiram que o terreno plano, cheio de pedregulhos oferecia pouca cobertura e era muito perigoso continuar a missão por ali e voltaram com o helicóptero.

B20 - Bravo Two Zero
A patrulha B20, sob o comando de Andy Mcnab, foi inserida no norte do Iraque, a 300 km da fronteira saudita e a cerca de 120 km da Síria. Esses iam fazer parte da história do SAS.

B30 - Bravo Three Zero
A B30 não pediu para o helicóptero Chinook esperar como a B10 fez, mas novamente, inspecionando o ambiente, decidiu que era muito arriscado continuar e decidiu voltar para a fronteira saudita no único veículo que eles tinham. Antes de partirem eles pediram um ataque contra uma estação móvel de radar que estava ali perto. Um A-10 dos EUA os confundiu com o objetivo; porém, percebendo o seu engano a tempo, o piloto conseguiu destruir o alvo inimigo. Segundo informações eles levaram alguns prisioneiros com eles.

Este é um exemplo de que além de caça os Scuds o SAS também atacou alvos iraquianos de oportunidade, sempre que possível usando para isso aviões da coalizão ou suas próprias armas.


Colunas Móveis de Combate

Essas colunas foram formadas pelo SAS com o objetivo de levar a cabo a procura e destruição dos Scuds e seus lançadores. Elas tinham um potência de fogo considerável e podiam destruir quase tudo. Com essas colunas se movendo atrás de suas linhas os iraquianos eram forçados a desdobrar uma grande quantidade de forças para caçá-las.
Quatro Colunas Móveis de Combate foram formadas, duas com pessoal do Esquadrão A e duas com o pessoal do Esquadrão D. As colunas treinaram antes de entrarem no Iraque no Emirados Árabes Unidos.
Cada coluna tinha cerca de 30 homens e 12 veículos. Os veículos eram: um caminhão de suporte Unimog, fabricado pela Mercedes, que levaria a maioria das cargas como combustível, água, munição, equipamento de proteção NBC, peças sobressalentes e outras coisas; de oito a dez 110 Land Rovers, cada qual armado com metralhadoras Browning .50, GPMGs, lançadores de granada M19 de 40 mm lançadores de mísseis antitanque Milan, lançadores de mísseis antiaéreos Stinger e LAWs, cada Land Rover levava de três a quatro homens, além de mantimentos e equipamentos; e duas motos. As colunas se moviam a noite e descansavam durante o dia, em posições seguras e camufladas. Os homens normalmente estavam armados com pistolas 9 mm, fuzis M-16, muitos com lançadores de granada M230, SLR, rifles L96A e submetralhadoras.

As equipes do SAS foram equipadas com os designadores de alvos a laser, para o uso na iluminação de alvos iraquianos em terra para a realização de ataques por aviões da Coalizão. Deve-se destacar que o pessoal do SAS foi obrigado a levar pílulas contra agentes anti-nervo, porém em alguns casos parece que este procedimento não foi adotado. Às equipes do SAS foi requisitado que não atacassem simplesmente todos os alvos de oportunidade. Dado a fragilidade da Coalizão, foram enfatizados fatores políticos.
Um operador do SAS descreveu o problema desta maneira: "Nós sabíamos que os parâmetros das operações eram bem soltos, mas isso não significava que nós poderíamos sair explodindo tudo a nossa frente. Nós éramos tropas estratégicas, assim o que nós fazíamos atrás da linhas inimigas poderia ter implicações políticas sérias. Se nós víssemos um oleoduto, por exemplo, e o detonássemos, nós poderíamos estar lançando a Jordânia na guerra, poderia ser um oleoduto de Bagdá para Amã que os aliados tinham concordado em não destruir de forma a permitir que a Jordânia tivesse o seu óleo. Assim se nós víssemos um alvo de oportunidade nós teríamos que ter permissão para lidar com ele. Com a permissão dada nós poderíamos causar um grande dano a máquina de guerra iraquiana, sem causar qualquer dano a Coalizão em questões políticas ou estratégicas."

Em 20 janeiro, operadores do SAS cruzaram a fronteira iraquiana pela primeira vez. Os detalhes operacionais, tais como o tipo de transporte, estavam mais relacionados com os métodos operacionais do líder da equipe. Os métodos da inserção disponíveis eram os seguintes: cruzar a fronteira: a pé, de veículo, ou de helicóptero.

Parece que a inserção de pára-quedas usando a técnica HALO era uma possibilidade, mas seu emprego real não foi confirmado. Isto é muito provável devido a fácil detecção por parte dos radares iraquianos de uma aeronave grande como um C-130 Hercules. Tal detecção não somente iluminaria o avião para os mísseis e canhões antiaéreos, mas poderia também dar a localização geral de uma equipe que tentasse se infiltrar.



Com tantas equipes operando no interior do Iraque se fazia necessário o seu reabastecimento. Não era operacionalmente viável que cada uma voltasse a Arábia Saudita para se reabastecer e voltar. Por isso foi criada uma formação temporária, o Esquadrão E, com a missão de abastecer as colunas do SAS em pleno Iraque. Foi formado um comboio com dez caminhões, fortemente escoltados por Land Rovers armados que se moveram para um ponto de encontro a mais de 139 km dentro do Iraque onde seriam encontradas as Colunas Móveis de Combate. Partindo da Arábia Saudita no dia 10 de fevereiro pela, a coluna alcançou o ponto de encontro por volta das 15:00 do dia 12. O ponto de encontro se tornou uma colméia de atividade. Armas e veículos foram consertados ou reparados, prisioneiros foram entregues e reuniões de planejamento foram realizadas. O Esquadrão voltou para a Arábia Saudita no dia 17 de fevereiro e logo depois deixou de existir.

O ataque a "Victor Two"

Um contingente de 30 homens do Esquadrão "A" era a típica Colunas Móveis de Combate do SAS na caçada aos lançadores móveis de Scuds, e a coluna que atacou a posição iraquiana "Victor Two" é uma dessas colunas.. Esta coluna era composta de seis 110 Land Rovers, de um veículo de suporte Unimog, e de duas motocicletas. A ordem da coluna era três 110, o Unimog, então os outros três 110s juntos com as duas motocicletas. Sempre que possível, os veículos seguiram as trilhas dos veículos da frente, para confundir o inimigo a respeito do número real dos veículos da coluna. O tipo de armamento levado pelos times do SAS variou muito.


As armas pessoais incluíram rifles M-16 lançadores de granada M-203, rifles de franco-atiradores, granadas, e um grande sortimento de alto explosivos. As armas montadas incluíram mísseis antitanques Milan e TOW, lançadores de granadas Mk 19, metralhadoras de emprego geral de 7.62mm e de .50pol.

Para minimizar a possibilidade de contato com os iraquianos o comboio se deslocava principalmente à noite. Durante o dia, os veículos eram recolhidos e escondidos debaixo de redes de camuflagem. Todo o tempo durante o qual o time não estava viajando era usado para descanso, manutenção e planejamento. Uma série de problemas inesperados foram enfrentados pela coluna imediatamente após a sua partida. O primeiro deles foi às altas temperaturas de extremo frio durante as noites.

Esperava-se que o tempo esfriasse, mas não temperaturas tão baixas, por isso a coluna não dispunha de agasalhos para temperaturas bem baixas. Isto causou muita fadiga em todos os membros do SAS pelo fato de que nenhum dos veículos estava coberto, e por conseqüência não se pôde beneficiar de aquecedores.

O segundo problema foi temporário, mas atrasou a entrada da coluna em território iraquiano. Os iraquianos tinham erguido uma grande barreira de areia ao longo da fronteira, esta barreira era grande o bastante para impedir o avanço de qualquer veículo. Equipes de reconhecimento do Esquadrão foram enviadas para examinar uma extensão de 50km da barreira para achar um ponto de cruzamento satisfatório, porém nada foi encontrado. Isto forçou a recolocação da coluna para outro ponto de entrada muito mais distante ao nordeste. Os problemas não acabaram com o cruzamento da fronteira. Na segunda noite da coluna , um Land Rover foi perdido numa colisão com o UniMog e teve que ser enterrado antes do comboio poder prosseguir. Os quatro homens que estavam no Land Rover perdido foram transferidos para o UniMog, e a coluna pode então continuar. A certa altura um veículo iraquiano com três homens se aproximou do esconderijo de uma das equipes. Dois iraquianos foram mortos e o terceiro foi feito prisioneiro, seguindo a sua extração por helicóptero (o que era um procedimento padrão), o veículo iraquiano foi destruído com explosivos.

A palavra código capturada do iraquianos, "Victor Two", estava relacionada com um posto de controle iraquiano responsável por um número substancial de direcionamentos de ataques com Scuds da região Ocidental. A coluna começou a receber informações detalhadas de localização, planejamento e poder de fogo do local codificado das transmissões de rádio enviadas pelos comandantes iraquianos. Tão detalhada era a informação, que descrevia com precisão não só a estrutura de superfície, mas também as especificações estruturais da arquitetura subterrânea. Dois operadores do SAS decifraram as informações, uma prática padrão do SAS. Eles também calcularam que a guarnição inimiga era de aproximadamente 30 homens, na realidade o número era quase dez vezes maior. Por alguma razão, o fato das aeronaves da Coalizão terem bombardeado o local não foi informado a coluna .

Equipes iraquianas de manutenção tinham sido desdobradas em resposta ao ataque e isto foi à resposta ao inesperadamente grande número de inimigos presentes. É importante notar que o bombardeio não causou suficiente dano ao local para fazê-lo inoperante. Esta constatação só foi possível através de uma inspeção detalhada realizada pelos elementos de uma equipe de reconhecimento, realizada logo após o ataque. É provável que os iraquianos camuflaram os danos e levaram os planejadores da Coalizão a acreditar que aquele alvo estava fora de ação. De fato quando a equipe do SAS chegou ao local, o mastro principal de transmissão estava baixado, mas a bateria ainda era capaz de realizar operações continuas. No assalto que seguiu o local foi destruído funcionalmente e a equipe retirou-se sob fogo. Surpreendentemente, nenhum homem do SAS foi morto ou ferido no ataque. Esta coluna retornou à base seis semanas depois de sua partida como programado.

SAS - Conclusão
Ao final da guerra, o SAS e o SBS tinham sem envolvidos na destruição de muitas instalações de comunicações e, é calculado, que tenha destruído um terço dos lançadores de Scuds. Tinha-se esperado um grande número de baixas, diante de um terreno perigoso, com temperaturas geladas, chuvas e granizo, além de inúmeros problemas de inteligência e de rádio. Mas só quatro operadores foram perdidos (três membros do B20 e um motoqueiro de uma Coluna Móvel de Combate). Apesar da guerra "oficial" em terra, que começou em 24 de fevereiro, ter durado apenas 100 horas, o SAS operou atrás das linhas iraquianas por mais de 40 dias. Os Land Rovers cobriram um média de 1.500 milhas e as As motocicletas uma média 1.875 milhas. O Gen. Norman Schwarzkopf escreveu uma Carta de Elogio para o 22 SAS, entre as expressões usadas podemos destacar: "... desempenho totalmente excelente... ... a única força qualificada para esta missão crítica era o SAS... ... nas tradições mais altas de serviço militar..."

Força Delta

Designada oficialmente 1st Special Forces Operational Detachment Delta ( 1st SFOD-Delta ) é uma das duas unidades militares americanas dedicadas à luta antiterrorismo. a outra e o SEAL TEAM 6 - ST6. Dividida em quatro Grupos ( A, B, C e D ) de 75 homens cada, possui as mesmas habilidades e funções do SAS britânico. Recebeu a mesma missão que o SAS : localizar, informar e se possível destruir lançadores móveis de SCUDs.




Ao lado : Homens da Força Delta em seus Hummers no interior do Iraque

A Força Delta esteve presente desde o início da Operação Tempestade no Deserto, pois alguns de seus membros serviam como guarda pessoal do Gen. Schwartzkopf desde que este chegou à Arábia Saudita. Suas patrulhas em busca de SCUDs tiveram os mesmos problemas do SAS, embora os americanos tivessem sempre o apoio aéreo imediato, que algumas vezes faltou aos britânicos. Localizaram vários lançadores, forçando os iraquianos a deslocarem-se constantemente para evitar a destruição.
Embora as operações das unidades Delta na guerra do Iraque ainda permaneçam secretas, existem relatos de ex-combatentes que ilustram razoavelmente os problemas que enfrentaram e os êxitos que obtiveram.

No dia 7 de fevereiro, uma patrulha Delta de 20 homens fugia de unidades blindadas iraquianas, quando o Controlador Aéreo que acompanhava o grupo conseguiu contatar uma dupla de F-15, que desceu como um relâmpago sobre os iraquianos, destruindo em segundos todo o grupo blindado, além de outros veículos nas redondezas, incluindo o TEL que havia sido reportado pela patrulha Delta atacada.
Certa vez uma de suas patrulhas de seis homens foi descoberta quando um garoto iraquiano tropeçou um comando, a equipe recusou-se a matar o menino e meteu-se em um combate de sete horas contra cerca de 250 soldados iraquianos, e após abater cerca de 150-250 inimigos, a patrulha foi evacuada por helicópteros no último minuto antes do corpo a corpo derradeiro.


160th Special Operations Aviation Regiment - SOAR

Era o componente aéreo das SOF americanas. Forneceu suporte e apoio de fogo em operações da Força Delta e, em alguns casos, do SAS na caçada aos Scuds. Formada por helicópteros leves de observação OH-6, utilitários tipo MH60 Black Hawks e pesados MH-47 Chinooks, apenas os melhores pilotos são recrutados. Seu treinamento inclui o uso dos mais modernos equipamentos de vôo cego e a baixíssima altitude sobre qualquer terreno. No Iraque acostumaram-se a voar a 30cm do chão, durante a noite, e a uma velocidade de 280 km/h !
Suas missões básicas eram infiltração e exfiltração de grupos SOF e busca e resgate de pilotos abatidos. Sofreram várias baixas durante a guerra. No dia 21 de fevereiro, quatro pilotos e três membros de uma unidade Delta morreram quando o MH-60 PAVE Hawk que tripulavam chocou-se com uma duna durante uma operação de infiltração com visibilidade zero.
Controladores Aéreos, treinados para estabelecer contato com patrulhas aéreas, postos de comunicações e de comando aliados eram sempre agregados às patrulhas Delta. Aeronaves AC-130 Gunships também tiveram um papel relevante na Grande Caça aos SCUDs. Pelo menos um AC-130 foi abatido por um SAM 7 Grail.




SBS - Special Boat Service


Menos conhecido do que o SAS, o SBS é outra força de elite a serviço do Reino Unido. Tiveram participação limitada na Guerra do Golfo, e sua missão mais importante foi a localização e destruição de um cabo subterrâneo de fibra ótica, usado pelos iraquianos para comunicação com todas as suas bases militares, e que não havia sido destruído por ataques aéreos. O cabo corria a sudoeste de Bagdá, e uma equipe mista formada por vinte SBS, três Delta e um Controlador Aéreo foi infiltrada na noite de 23 de janeiro. O grupo localizou o cabo, secionou-o em diversas partes, e retirou-se em segurança para sua base em Al Jouf, levando um pedaço como troféu, que foi depois presenteado ao Gen. Schwartzkopf, como uma gentil reprimenda pelo pouco respeito, que este personagem tinha pela capacidade profissional das SOF.
Conclusão
Embora os Grupos SOF não fossem especificamente treinados para operações contra lançadores móveis de mísseis, e ainda que não tenham conseguido destruir todas as plataformas móveis TEL iraquianas, sem dúvida foi sua habilidade em localizar e identificar veículos e locais suspeitos, tornando-os alvos para ataques aéreos e forçando seu constante deslocamento, que não permitiu que Saddam seguisse com sua estratégia de atacar Israel, levando este país a retaliações que certamente teriam destruído a frágil Coalizão aliada. Se Saddan tivesse tido êxito, certamente teria vencido a guerra.
Abaixo alguns dados sobre a Grande Caça aos SCUDs.
18 Janeiro - 7 SCUDs em TelAviv e Haifa. Sete feridos Um lançador TEL destruído por A-10.19 Janeiro - 4 SCUDs cerca de TelAviv. Sem vítimas.20 Janeiro - 2 SCUDs interceptados por mísseis Patriot.21 Janeiro - 6 SCUDs interceptados por mísseis Patriot. Um impacto no mar.22 Janeiro - 7 SCUDs atingem Israel. 96 feridos e 3 mortos. Outros 7 SCUDs interceptados por Patriot.23 Janeiro - 7 SCUDs lançados contra Israel. Todos interceptados por Patriot. 4 SCUDs localizados pela Força Delta. Destruídos por ataque aéreo25 Janeiro - 8 SCUDs lançados contra Israel Arábia Saudita. Um morto e 96 feridos israelenses. Os lançados contra a Arábia Saudita interceptados por Patriot.26 Janeiro - 4 SCUDs lançados. Todos interceptados por Patriot.28 Janeiro - 3 SCUDs e 4 veículos de apoio destruídos por F-15.29 Janeiro - 2 TEL + SCUDs localizados pelo SAS. Destruídos por F-1531 Janeiro - 2 SCUDs destruídos por F-1502 Fevereiro - 1 SCUD localizado pela Força Delta. Destruído por MH-6003 Fevereiro - 2 SCUDs localizados pelo SAS. Destruídos por F-1505 Fevereiro - 2 Tels + SCUDs localizados pelo SAS. Destruídos por F-1510 Fevereiro - 1 SCUD destruído no solo por F-15.11 Fevereiro - 4 SCUDs destruídos por F-15 no Kuwait.14 Fevereiro - 2 SCUDs destruídos por F-1518 Fevereiro - 2 SCUDs localizados pelo SAS. Destruídos por F-1619 Fevereiro - 1 TEL + SCUD localizado pelo SAS. Destruído por F-1523 Fevereiro - 7 SCUDs destruídos no solo por F-15 e A-726 Fevereiro - 24 SCUDs destruídos no solo por A-10 e F/A-18. Neste último dia antes do cessar-fogo, 27 de fevereiro de 1991, cerca de 12 homens operadores americanos ajudaram a destruir 26 mísseis Scud C. Saddam Hussein pretendia lançar de uma só vez todos esses Scuds contra Israel. Seis deles estariam armados com ogivas químicas. O ataque maciço seria destruidor e levaria governo de Yitzhak Shamir à retaliação pesada. Outros países árabes reagiriam rompendo a aliança liderada pelos EUA e multiplicando o conflito. "Foi uma operação crítica. Morreram três líderes dos Boinas Verdes. Um deles, Eloy Olivera Rodriguez Junior, era neto de brasileiros", conta Andrew Andy M., um ex-integrante das Forças Especiais que trabalhou no Brasil, a serviço da Petrobrás.
Os números acima mostram mais de 100 SCUDs destruídos, com relevante participação de unidades SOF. Se todos estes SCUDs tivessem alcançado seus alvos, Israel seria hoje um país devastado, a Coalizão teria se esfacelado, uma nova guerra árabe-israelense teria irrompido, e Saddan Hussein teria triunfado. O fato dos Estados Unidos e Grã-Bretanha terem lançado suas melhores unidades na caça aos SCUDs demonstrou além de qualquer dúvida a importância dada por estes países à segurança da integridade de Israel e o cumprimento da garantia dada, de não seria necessária uma intervenção militar israelense contra o Iraque. Notas1 - A modernização dos SCUDS, teria contado, com a participação de técnicos brasileiros, conforme relatos da imprensa da época. O aumento de peso do SCUD fez que a estrutura não suportasse a aceleração e desintegrasse o corpo do míssil, quando da reentrada na atmosfera. Assim os Patriot nunca conseguiram um impacto direto2- Os decoys usados pelos iraquianos refletiam os espectros, térmico , radárico e magnético. A mesma dificuldade as Forças Aéreas participando da Operação Força Aliada, em Kosovo, teriam nove anos após ( 1999).


FORÇAS ESPECIAIS DE ISRAEL

Forças Especiais de Israel em operação no deserto iraquiano usando trajes militares de origem americana.
Mesmo nunca admitido oficialmente, é certo que várias unidades das forças especiais da Força de Defesa de Israel (IDF), estiveram operando secretamente no Iraque durante a Operação Tempestade no Deserto, em 1991. Em 2 de agosto de 1990, as forças armadas do Iraque invadiram Kuwait e o declararam como uma parte integrante do território iraquiano. Imediatamente os EUA exigiram a saída das forças Logo depois o E.U.A. pediu que as forças iraquianas se retirassem da área, diante da recusa do Iraque foi formada uma coalizão muito frágil com vários países da Europa como também alguns países árabes, e foi dado início uma grande mobilização de tropas e equipamento para a região.
Como na Guerra Árabe-israelense do Yom Kippur em 1973, a inteligência israelense foi pegue de surpresa e sem qualquer fonte de informação que valesse a pena na região. Para fechar esta lacuna vários agentes de campo do Mossad – o Serviço Secreto de Israel para o Exterior - foram inseridos no Iraque e no Kuwait. Ao mesmo tempo os operadores do Sayeret MATKAL (Unidade 767) - a principal unidade das forças especiais da IDF - foram enviados ao Iraque para que obtivessem dados de inteligência mais táticos sobre a movimentação do exército iraquiano. Na ocasião, as chances do Iraque vir a atacar Israel de fato eram mínimas, mas Israel precisava estar bem informada sobre as ações de Saddam Hussein. Em 16 de janeiro de 1991, expirou o último dia do ultimato da ONU para que o Iraque saísse do Kuwait, diante da recusa iraquiana os EUA começaram os ataques aéreos contra alvos iraquianos.
Menos de 24 horas depois o Iraque enviou 8 Scuds, mísseis terra-terra contra Israel, mirando a cidade de Tel-Aviv. Depois do ataque dos Scuds a Força Aérea Israelense (IAF) que já estava em alerta total deu início aos procedimentos para um ataque de vingança de longo alcance. Porém, temeu-se que isto ameaçasse a frágil coalizão frágil montada pelos EUA, o Governo americano pediu a Israel que não tomasse nenhuma medida ofensiva contra o Iraque, e garantiu que os EUA fariam um esforço especial para alcançar e destruir os lançadores móveis de Scuds. Em troca da não-participação oficial israelense na crise, Israel recebeu permissão dos norte-americanos para desdobrar várias unidades de suas forças especiais para agir no setor americano de caça aos Scuds, localizado ao norte da estrada Bagdá-Amã e melhor conhecido como a "Avenida" dos Scuds.
As equipes israelenses desdobradas de maneira inteiramente secreta, sem qualquer contato com outras forças da coalizão e sem qualquer rastro pudesse identifica-las como israelenses. Logo após a permissão norte-americana ter sido concedida diferentes unidades de SF israelenses foram inseridas n área de caça por helicópteros de transporte CH-53 e a operação começou. É interessante notar que os dados de inteligência levantados pelos operadores do Mossad e do Sayeret MATKAL, que tinham sido inseridos no teatro de conflito alguns meses atrás, foram usados como moeda de troca pelos israelenses nas suas negociações com os americanos, e foram uma das razões principais para que os israelenses fossem autorizados a operar na área. As equipes enviadas para o Iraque foram seguintes: - Sayeret Shaldag. - Sayeret Maglan. - Uma equipe de reserva da Unidade 669. - Sayeret MATKAL.



Os israelenses tinham poucas equipes de guerra eletrônica e unidades de comunicação. Todos as equipes foram equipadas com jipes não-israelenses do tipo Land Rover, dotados de rodas experimentais para transpor dunas, e motocicletas suecas Husqvarna especialmente modificadas. Todos os veículos foram pintados com camuflagem para o deserto e não possuíam nenhuma identificação israelense neles. Devido à longa duração da operação e da falta de qualquer apoio aproximado, todo equipamento auxiliar e suprimentos diversos foram embarcados. Os principais elementos ofensivos do grupo das SF israelenses eram as equipes do Sayeret Shaldag e Sayeret Maglan.
Mais da metade dos operadores destas duas unidades participaram da caça aos Scuds, e foram equipados com jipes Land Rover providos com armas anti-tanques (ATGM). Visto que o Sayeret MATKAL tinha se desdobrado para a Área de Operação (AO) bem antes que o resto das unidades, o papel desta unidade na operação estava mais ligado a prover inteligência, é bom frisar que foi com este fim que a unidade foi projetada originalmente.
Fora alguns incidentes inevitáveis, Sayeret MATKAL não dirigiu nenhuma das missões ofensivas, e agiu mais como Patrulha de Reconhecimento de Longo Alcance (LRRP) e “pathfinders” para todas as outras unidades. Uma vez desdobrado para a região, as equipes das SF israelenses começaram a buscar pelos lançadores móveis de Scuds como também por outros objetivos de alto valor. As equipes ficavam escondidas durante o dia para evitar serem descobertas pelos iraquianos como também por forças de coalizões, e iam a caça dos Scuds durante a noite. O dia era usado para planejar, dar manutenção técnica e dormir.

Cada lançador móvel de Scud era composto de três elementos: Um Trator-Eretor-Lançador de Scud (TEL), que era o veículo que transportava o projétil, o colocava em posição vertical e o lançava, um caminhão Zill que levava um destacamento de guardas e um jipe Land Cruiser, que transportava o oficial comandante do destacamento.
Visto que a presença dos tropas israelenses na área era altamente secreta, as equipes estavam impossibilitadas de solicitar ataques aéreos e as operações de infiltração/exfiltração, bem como vôos de provisão eram muito complexas e demoradas. Certa vez um CH-53 israelense que levava operadores para o Iraque quase foi abatido por caças americanos que ignoravam a sua identidade.
A operação no geral não foi muito difícil. Eventualmente, as equipes israelenses do Sayeret Shaldag e do Sayeret Maglan descobriam e destruíam lançadores móveis de Scuds como também os transportes de munição e às vezes algum posto avançado do exército iraquiano. A maioria dos ataques eram feitos através das armas anti-tanque ATGM, mas alguns eram realizados através de ataques diretos e normalmente eram estes que causavam mais feridos. Um incidente sem igual e raro aconteceu em pleno dia. Enquanto uma equipe do Sayeret/Shaldag estava descansando em seu esconderijo dentro de um pequeno riacho seco, um comboio de um lançador móvel de Scuds chegou junto ao riacho para uma parada curta. A equipe não pôde acreditar na sua grande sorte e desde que a sua localização estava bem longe no deserto, o time decidiu ariscar e atacar direito do seu esconderijo em plena luz do dia.
O sucesso foi total. O grupo iraquiano estava composto por cerca de seis guardas e a tripulação de lançador – nada especial para uma unidade altamente treinada e equipada das forças especiais israelenses. Alguns dias antes do Iraque se render as equipes israelenses voltaram para Israel a bordo dos CH-53. A operação toda foi considerada um sucesso. Enquanto a atividade das equipes israelenses era de certa forma bastante simbólica e só aconteceram por um período de poucas semanas, eles foram mais efetivos se compararmos o seu ou ao tamanho e os recursos limitados à sua disposição.
As equipes israelenses também conseguiram juntar a mais valiosa soma de dados de inteligência da campanha de Tempestade de Deserto fora de todas as forças da coalizão na área, dados estes que foram passados depois para os EUA. Diferente das patrulhas americanas e britânicas, nenhuma patrulha israelense ou seus esconderijos foram descobertos pelos iraquianos, e nenhum soldado israelense foi morto durante a operação.


Acima: Os CH-53 de Israel foram usados no apoio as Forças Especiais israelenses na caçada aos Scuds iraquianos

sábado, 2 de junho de 2007

"El Dorado Canyon" Os EUA vizitaram Kadafi

Uma bomba explodiu na discoteca La Belle, em Berlim, corria o ano 1986, mais exatamente, foi no dia 5 de abril. Neste atentado terrorista, morreram vários soldados americanos. Dias depois o Presidente americano referiu-se abertamente ao coronel libio " aquele cachorro louco do Oriente Médio", nascia a operaçao "El Dorado Canyon".O Gen.Vernon Walters, embaixador dos EUA na ONU, viajou discretamente a várias capitais européias, buscando apoio logistico e político para um represária armada, só encontrou apoio (como sempre) na 1ª Ministra Margaret Thatcher, que autorizou o uso das bases americanas em seu pais para o lançamento da operaçao.

Acima: Um Boeing RC-135 que participou da operação.

No dia 9 de abril, dois avioes de reconhecimento eletronico Boeing RC-135 escalaram na base de Mildenhall (Gra-Bretanha), a caminho da Base grega de Hellenikon. A esses aparelhos juntaram-se pelo menos dois outros em séries de voos realizadas nos dias que se seguiram. As informaçoes obtidas foram somadas às recolhidas pelos SR-71A, que levantavam voo diariamente de Mildenhall, e às conseguidas por dois Lockheed TR-1A e um U-2R, que saíam de Akrotiri, Chipre, em missoes táticas de reconhecimento a distância. Também apareceram nas bases inglesas de Fairford e Mildenhall, 25 avioes-tanque KC-10A, umas bases mais acostumadas aos KC-135 que já serviam lá.

Acima: Um dos KC-10A que decolaram de Fairford e Mildenhall.


Acima: Um dos U-2R, que saíam de Akrotiri, Chipre.
Anoitece no dia 14 de abril e as 17h45min, seis KC-135 Stratotanker decolam de Mildenhall, seguidos às 18h pelos primeiros KC-10A Extender. Em Lakenheath os primeiros 24 F-111F ligavam os seus pós-combustores e decolavam.

Os F-111F ( Ao lado) estavam divididos em grupos de 4 e, sobre os campos de East Anglia, juntaram-se a seis dos Extender e dirigiram-se para o sudoeste, para o 1º ponto de reabastecimento, ao lado de Land´s End. Em Fairford, o lançamento de um único KC-10A às 18h12min foi seguido pelo de 3 outras aeronaves do mesmo tipo e dois KC-135A na meia hora seguinte. Entre 19h34min e 20h55min, très outros Extender levantaram vôo. Os Extender de Fairford eram para apoiar a 5 EF-111A Raven que sairam de Upper Heyford, enquanto os dois Stratotanker destinavam-se a reabastecimento aereo de parte dos Extender durante o seu retorno, mais tarde. Seis F-111F e dois EF-111A atuavam como reservas; entre 20h30min e 21h30min todos esses F-111F retornaram a Lakenheath, e um dos EF-111A voltou para Upper Heyford. O segundo EF-111A de reserva proseguiu até a área do alvo.

Acima : EF-111A Raven que participou da operação.


Acima: Os KC-135 Stratotanker foram responsáveis pelo reabastecimento dos F-111F e EF-111 Raven

A proibição, pelos respectivos governos, de sobrevoar território Espanhol e Francês obrigou o grupo principal a fazer uma volta, contornando a Península Ibérica, antes de dobrar para leste e entrar no
editerrâneo pelo Estreito de Gibraltar. Os F-111F (Ao lado) levavam bombas laser e de queda livre, de modo que nao havia lugar para tanques externos de combustivel. Foram estabelecidos 4 pontos de reabastecimento aéreo com rádio em silêncio: o 1º ao largo do extremo noroeste da Espanha; o segundo antes do contorno das costas portuguesas. Operando em frequências seguras de comunicaçao, a força de ataque recebeu a confirmaçao para executar a missao nas vizinhanças de Gibraltar. Os dois outros reabastecimentos ocorreram sobre o mediterraneo, antes dos F-111F e EF-111A virarem para o sul em direçao a Trípoli.

Acima : Um F-111F sobre o Mediterrâneo

As forças da Nayv.

Acima: Aviões a bordo do USS America

As marinha americana também participaria da açao, os porta-avioes America e Coral Sea estavam posicionados no Mediterrâneo, a noroeste da costa líbia. A tarefa da USN era atacar o quartel general de Al Jumahiriya, em Bengázi, além do aeroporto de cidade. A força naval usaria os Grumman A-6E Intruder, F/A-18A Hornet, Vought A-7E Corsair II (Ao lado), Grumman EA-6B Prowler (Abaixo), Grumman E-2C Hawkeye, Grumman KA-6D (reabastecimento aéreo) e F-14A Tomcat para dar cobertura aérea.
Os ataques coordenados às duas cidades líbias começaram às 23h54min, quando os A-7E e F/A-18A da Marinha lançaram seus primeiros misseis anti-radiaçao contra as bases de SAM e estaçoes de radar que defendiam Bengázi. Ao mesmo tempo, os três EF-111A começaram a interferir nas frequências de defeza das vizinhanças de Trípoli. Minutos depois, dezoito F-111F completamente armados cruzaram a linha da costa líbia a cerca de 60m de altitude. Trípoli estava completamente iluminada e os pilotos podiam ver claramente automoveis rodando pelas ruas. Os pilotos de F-111F executaram uma manobra planejada e dividiram-se em três células de seis avioes. Duas delas viraram abruptamente para a esquerda e dirigiram-se a base naval de Sidi Bilal e para o quartel de Azízia, onde Kadafi morava. A terceira célula continuou rumo sul antes de encaminhar-se para o aeroporto militar de Trípoli.Havia chegado a hora de o equipamento designador a laser "Pave Tack" (Ao lado) dos F-111F fazer a sua parte, mas começaram também a aparecer os resultados negativos das restriçoes impostas por Washington. Rumando para os alvos selecionados, os dois primeiros grupos de avioes rapidamente ascenderam a 150m para possibilitar a aquisiçao do alvo. Os organizadores da missao deram prioridade a precissao do ataque e evitar os "efeitos colaterais", o alvo tinham que ser duplamente fixados, pelo radar e pelo visor infravermelho, antes que as bombas fossem lançadas,; qualquer falha dos sistemas deveria ser seguida de suspensao imediata do ataque. Por esse motivo, cinco F-111F foram impedidos de atacar. Quatro deles faziam parte do grupo de doze avioes que deveria atacar o quartel e a base naval. Os oito avioes restantes efetuaram ataques únicos a baixa altitude, lançando sua carga mortal de 4 bombas guiadas a laser de 907kg cada antes de evadir para o norte a 835km/h e a 75 m de altitude, em direçao ao ponto de encontro combinado com o outro grupo de F-111F, sobre o mediterrâneo.
A força de F-111F sofreu a perda de uma aeronave e a sua tripulaçao. Os líbios estavam usando canhoes ZSU-23-4 e SAM SA-2,3 e 5, fornecidos pelos sovieticos. Os norte-americanos afirmaram que algumas das baixas líbias no ataque foram causadas pela queda dos seus próprios SAM sobre áreas civis, após a queima do seu combustivel. Enquanto os oito avioes fugiam sobre a linha da costa, um deles desapareceu. As circunstâncias exatas da perda ainda estao um pouco confusas. Acreditou-se inicialmente que o aviao havia sido atingido durante a aproximaçao do alvo, forçando o piloto a entrar em curva de 70º. A força centrífuga teria arrancado as bombas guiadas a laser de 907kg de seus cabides, fazendo-as cair sobre quarteiroes residênciais civis e a embaixada da França. Essa informaçao foi negada pelo Pentágono, que salientou nao ter sido transmitida mensagem de emergência pela tripulaçao enquanto o aviao ia para o mar. Ademais , se o aviao estivesse seriamente danificado, é pouco provavel que conseguisse voar 30km antes de desaparecer. Outros três pilotos norte-americanos relatam ter visto o clarao de uma grande explosao quando passaram a sobrevoar o mar. Acredita-se que o aviao tenha caido no mar em alta velocidade, provavelmente em decorência de desorientaçao do piloto ou de falha dos sistemas de bordo. Uma longa busca foi conduzida nas primeiras horas da manha seguinte, mas nao foi encontrado nenhum sinal.
Para a célula restante de F-111F, o alvo era o aeroporto militar de Trípoli. Os avioes estavam armados com bombas retardadas de alto arrastro Mk-82 de 227kg, que foram lançadas a 60m de altitude. A imagem das camaras de ataque mostram nitidamente a destruiçao de dois cargueiros Ulyushin Il-76 (Abaixo).
Da mesma que o grupo de F-111F atacando o outro alvo, essa célula também sofreu uma diminuiçao de seu poderio de ataque, quando uma
aeronave foi forçada a suspender a açao, devido a falha de seus sistemas. Quando as últimas bombas caíram sobre o alvo, os jatos se dirigiam para o ponto de encontro sobre o mar.
Devolta ao ninhoA força de F-111F dirigiu-se para o 1º ponto de reabastecimento de etapa de retorno, onde encontrou-se com os KC-10A que haviam ficado bem distantes. Um aviao teve problemas de superaquecimento de motores, e foi forçado a desviar para a base de Rota, na Espanha, durante o longo vôo de volta à Gra-Bretanha. O 1º aviao de combate a pousou em Lakenheath, às 06h30min de 15 de abril. Por volta das 10h, todas as aeronaves já estavam em casa.
Acima: Os F-111F destruiram dois cargueiros Ulyushin Il-76.

A fase posterior ao ataque exigia tantas missoes de reconhecimento sobre alvos quanto possivel, para que todos os fatos ocorridos fossem registrados. Assim, três KC-135Q e dois KC-10A foram lançados entre 01h30min e 03h20min para proporcionar reabastecimento para a 1ª missao de reconhecimento a grande altitude depois do ataque, efetuada por um dos SR-71A baseados em Mildenhall, lançado às 04h. Às 05h15min, decolou o segundo SR-71A, marcando a 1ª missao simultanea de reconhecimento efetuada pelos Blackbird de Mildenhall. Seus esforços, no entanto, foram frustrados por uma densa camada de nuvens que os obrigou a pousar às 09h48min. Vôos duplos semelhantes foram realizados nos dias 16 e 17 de abril.As informaçoes obtidas pelos SR-71A, juntamente com as de outras plataformas de reconhecimento como os RC-135W de Hellenikon, confirmaram que os cinco alvos visados haviam sido atingidos, e que danos consideraveis haviam sido provocados, a missao foi vista como bem-sucedida.

Acima: Um dos SR-71A baseados em Mildenhall que realizaram missoes de reconhecimento sobre alvos na Líbia após os ataques.

A reaçao líbia foi um ataque de mísseis contra uma base norte-americana na ilha italiana de Lampedusa, em 16 de abril. A base havia propocionado um sinal eletronico para alinhar os F-111F em sua aproximaçao a Trípoli, mas o ataque retaliatório não obteve sucesso.


Acima: Após o conflito a Líbia voltou a interceptar caças da US NAVY sobre o Mediterrâneo. Na foto um F/A-18A intercepta um MIG-23 libio.


Acima: Um F/A-18A escolta um Sukhoi Su-22 "Fitter-J" .